Summer School 2016

Uma vez que o Programa Doutoral EcoCoRe resulta da parceria entre diversas instituições universitárias nacionais (Universidade de Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Coimbra, Universidade do Porto, Universidade do Minho e Laboratório Nacional de Engenharia Civil), a Summer School é o único momento em que alunos e professores se reúnem presencialmente.

Este evento anual assinala o início do ano lectivo e permite a partilha de experiências e a avaliação anual dos trabalhos de investigação em curso.

Em 2016, a Summer School realizou-se na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e contou com a participação especial do Professor Hugo Hens, da Katholieke Universiteit Leuven, convidado a comentar os trabalhos apresentados pelos alunos do Programa Doutoral.

Especialista em Física das Construções Aplicada, o Professor Hugo Hens tem liderado investigação acerca do fenómeno que denomina como “rebound”, na análise do comportamento energético dos edifícios. O efeito rebound caracteriza-se pela reacção e influência dos utilizadores no comportamento energético dos edifícios, uma vez que, dominantemente, as metodologias propostas pelos regulamentos são baseadas em cálculos abstractos e não na realidade.

A metodologia de investigação tem sido baseada na recolha de dados quantitativos em edifícios residenciais reais, que são posteriormente comparados com os resultados calculados a partir das metodologias regulamentares. Os resultados apresentados demonstram que na realidade os casos de estudo apresentam consumos inferiores aos estimados, devido aos modos de utilização quotidianos. Verificou-se que uma boa utilização dos edifícios convencionais, mesmo sem isolamento, pode reduzir os consumos até 51%. Por outro lado, em casas com muito isolamento, os estudos demonstraram que os consumos energéticos tendem a ser superiores à referência: por excesso de confiança ou de manipulação dos sistemas por parte dos utilizadores.

Em conclusão, a investigação apresentada pelo Professor Hugo Hens demonstra que as medidas para a eficiência energética podem não ser tão compensatórias como assumido e que a legislação, muitas vezes contraditória, pode ter um efeito inverso ao pretendido para o balanço global da eficiência energética dos edifícios. Salienta-se assim a necessidade de monitorizar o comportamento real dos edifícios antes de assumir resultados e propor soluções de melhoria genéricas, mas também de estimular mudanças nos modos de utilização, que, como demonstrado, podem ter impactos mais significativos do que acções de reabilitação profundas.

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