Reabilitação Urbana

A secção regional de Braga da Ordem dos Arquitectos dinamizou, com o pretexto de reunir os arquitectos à mesa, o jantar-tertúlia acerca de reabilitação urbana, no Mosteiro de São Martinho de Tibães.

A inusitada experiência acabou por se revelar mais interessante do que o expectável, pois a informalidade do jantar funciona como um desinibidor de partilha de opiniões e de experiências. Lamentavelmente não chegou o tempo para um debate mais alargado, que teria sido certamente enriquecedor para o desenvolvimento de um perfil-tipo do arquitecto que trabalha em reabilitação, os seus problemas e necessidades.

Os oradores convidados expuseram as suas experiências profissionais (Alexandra Gesta e Ricardo Rodrigues) e as suas reflexões sobre o Património (Álvaro Domingues e João Rapagão). Enquanto que João Rapagão apresentou de forma resumida a evolução do conceito, desde Ruskin e Viollet-le-Duc às cartas da Unesco – com um discutível “o património é o álibi do medo à mudança” -, Álvaro Domingues lançou a reflexão acerca do “efeito chocalho” e dos riscos de uma excessiva patrimonialização e, sobretudo, turistificação do património.

Alexandra Gesta, responsável, na Câmara Municipal de Guimarães, pelas acções de protecção do centro histórico classificado, expôs a abordagem metodológica que guiou o processo de classificação – baseado numa lógica, como a própria resume, de “caminhar e medir, sem acreditar em verdades absolutas”-, e que tem também guiado a nova candidatura a Património Mundial da área urbana de Couros.

Ricardo Rodrigues apresentou alguns casos de estudo da aplicação desta metodologia, nomeadamente a Ilha do Sabão, já na zona de Couros, reabilitada pela Câmara de Guimarães a baixo custo e numa perspectiva de continuidade e respeito pelas técnicas construtivas tradicionais. Apresentou ainda o projecto/processo de reabilitação do Bairro de Nossa Senhora da Conceição, mais interessante pelo método do que pelo resultado, ao demonstrar alguma abertura do município para intervenções mais participativas em relação com a comunidade.

Leave a Reply

Your email address will not be published.