Património do Futuro

Ao longo do processo de investigação algumas conversas fazem-nos (re)pensar o rumo a seguir. Um desses momentos foi a constatação de que as correntes metodologias de reabilitação, tidas como referências, são originárias (e/ou profundamente influenciadas) no século XIX: Ruskin, Viollet-le-Duc, Boito, Riegl e as decorrentes Cartas do Património (ICOMOS).

A tendência generalizada é focada no passado, com teorias de preservação com mais de 100 anos, fundamentando acções de salvaguarda quase sempre baseadas no reconhecimento do valor de antiguidade. No entanto, Heritage, no seu sentido literal, remete para o legado que deixamos às gerações vindouras (neste ponto permite-nos desde logo um cruzamento interessante com o conceito de sustentabilidade). O conceito de Património apresenta, assim, um vínculo com o futuro tão ou ainda mais forte do que com o passado. Apesar disso, são escassas, ou pelo menos não tão difundidas, as teorias que reflictam, aprofundadamente e numa perspectiva conceptual,  sobre o futuro do património ou até sobre o património do futuro.

Desvinculando-nos por momentos do conceito de património herdado do século XIX, será possível propôr uma revisão do conceito, situada no contexto do século XXI e que melhor traduza as especificidades do nosso tempo? Será esse conceito mais guiado pelos valores de inovação, nomeadamente de inovação disruptiva, e menos pelos valores de antiguidade? Com mudanças sociais e culturais estruturantes cada vez mais aceleradas, paralelamente a um aumento gradual da esperança média de vida, como poderemos medir esse valor de antiguidade? E do ponto de vista neurológico, que relações podemos hoje estabelecer entre a percepção do tempo e a memória?

Muitas perguntas ainda sem resposta, que ajudam a criar uma chave de leitura e reflexão para as fases seguintes.

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