What Consumers Want

Mais um vídeo sugerido nas aulas de Inovação Aplicada, desta vez acerca das mudanças no tecido da economia moderna, com um enfoque particularmente interessante para uma investigação sobre Património: a Autenticidade.

Joseph Pines distingue numa linha temporal quatro modelos económicos: agrícola, industrial, individual e, por fim, o mais recente baseado na “experiência”, no sentido de vivência e não de tentativa. Cada um destes modelos está associado a diferentes resultados, imperativos do mercado e sensibilidades dos consumidores. 

Agrícola

modelo baseado na extracção de recursos primários e na seu fornecimento no mercado, visando garantir a disponibilidade.

Industrial

este modelo é baseado na transformação dos recursos primários, apresentados como produtos beneficiados; o imperativo do mercado é o controlo de custos, procurando garantir o melhor preço.

Individual

a primarização dos produtos beneficiados – critério de selecção baseado unicamente no preço – impõe uma dinâmica de mercado baseada na diferenciação através dos serviços, pela customização dos produtos; o objectivo é aperfeiçoar, distinguindo-se pela qualidade.

Experiência

o novo modelo procura a customização/personalização dos serviços, tornando-o único para o cliente – tornando-se numa experiência; o imperativo é criar a percepção de autenticidade no cliente, pois é essa percepção que distingue os competidores no mercado.

Verifica-se assim que os modelos económicos têm evoluído numa lógica de primarização/personalização (commoditization/customization) sucessiva, pois gradualmente os produtos e serviços primarizados, colocando todo o seu valor económico no preço, facto que é contrabalançado pela distinção através da personalização que torna o produto ou serviço único perante o cliente. Esta lógica aplica-se também ao Património Edificado, que é hoje tratado como um recurso primário (“o petróleo de Portugal”),sendo a sua valorização definida pelo retorno económico expectável, enquanto que, em contraponto, os instrumentos reguladores recomendam a valorização da autenticidade.

Autenticidade é um termo ambíguo, como expõe Joseph Pines, no entanto parece poder ser reduzido a duas questões essenciais: ser verdadeiro consigo mesmo; ser o que diz que é aos outros. Ser verdadeiro consigo mesmo implica conhecer a linhagem e o passado, compreendê-lo, pois limita o que se pode ser no futuro. Um aspecto importante para a investigação do Património, que deve antes demais compreender o “significado” e as motivações das formas de fazer, para poder transpô-las para o futuro. Ser o que diz que é, por outro lado remete para a experiência mais do que propaganda, estimulando formas de investigar mais próximas da comunidade.

A questão da Autenticidade encontra-se mais detalhada na obra “Sincerity and Authenticity” de Lionell Trilling, de leitura obrigatória para uma melhor compreensão da evolução do conceito.

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