Reabilitação de Edifícios Antigos, João Appleton

O livro de Appleton (2011) “Reabilitação de Edifícios Antigos” constitui um manual de apoio aos processos de inspecção, diagnóstico e reparação em edifícios construídos até meados do século XX, com recurso às tecnologias construtivas tradicionais.

A metodologia defende que a intervenção no Património construído deverá ser apoiada em três vertentes de acção – caracterização, técnica e pós-ocupação (p.5):

(…) Conhecimento das características dos edifícios antigos e dos seus materiais e elementos constituintes, conhecimento de materiais e  elementos constituintes; conhecimento de materiais e tecnologias de intervenção em edifícios antigos, ao nível das técnicas tradicionais e inovadoras; e conhecimento das características dos edifícios antigos, após a concretização das acções de intervenção, incluindo programas de observação do seu comportamento ao longo do tempo.

Começa por apresentar a caracterização dos edifícios  antigos, elencando as técnicas e materiais mais frequentes para cada função construtiva. Seguidamente, apresenta, para cada uma desses grupos construtivos, as anomalias mais frequentes, expondo as causas mais prováveis dos problemas. Por fim, indica processos e metodologias para a resolução ou mitigação dos problemas. São ainda apresentadas estratégias de reforço e adaptação às necessidades contemporâneas, nomeadamente a nível de segurança contra incêndio, térmica e acústica.

São particularmente interessantes os documentos apresentados em anexo, sobretudo o compêndio de Cartas e Convenções Internacionais sobre Património (a analisar autonomamente), mas também os exemplos de Estudo de Diagnóstico e Programa Decorativo.

Uma obra útil mas modesta, no sentido em que contribui para corroborar o problema identificado – a escassez de informação relativa às técnicas de construção tradicionais – sem, no entanto, se propor a resolvê-lo. Frequentemente o autor identifica lacunas no conhecimento existente, apontando caminhos para possíveis estudos acerca das características dos materiais, técnicas de reforço e reparação ou ferramentas de apoio ao projecto.

A sistematização da informação poderia ser mais bem conseguida, já que a estrutura utilizada na divisão das funções construtivas cria ambiguidades e redundâncias. A autonomização dos revestimentos e acabamentos num grupo próprio torna os restantes grupos incompletos e obriga a constantes referências internas. Um exemplo flagrante é, por exemplo, o das coberturas: a telha é caracterizada no grupo revestimentos, consequentemente o problema mais frequente da cobertura, infiltrações, tem que ser consultada no capítulo referente a anomalias da cobertura e no capítulo anomalias dos revestimentos. Esta organização dificulta os processos de consulta e inspecção, não contribuindo para a clarificação dos conteúdos.

É, sem dúvida, um manual útil para consulta, ainda que com algumas lacunas no que toca aos conteúdos (naturais, dada a a escassez de informação sobre estes assuntos) e com uma estrutura pouco clara, associada à pouca relevância atribuída à informação gráfica, normalmente desconectada dos conteúdos do texto (sem ligações directas ou remetida para apêndice). As informações técnicas são interessantes, sobretudo ao contribuírem para uma interpretação consistente das causas das anomalias. É uma obra mais direccionada para engenheiros do que para arquitectos, ao enfatizar mais as questões estruturais do que as não-estruturais da reabilitação de edifícios antigos, mas ainda assim importante para ambos os sectores profissionais.

Salientam-se as tabelas de apoio à tomada de decisão, orientando as intervenções segundo grau de severidade da anomalia, valor do edifício e compatibilidade de materiais.

*Appleton, J. (2011). Reabilitação de Edifícios Antigos – Patologias e tecnologias de intervenção (2ª ed.). Amadora: Edições Orion.

 

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