Exposição “Uma Obra Menor”

A exposição “Uma Obra Menor”, retrata o processo da construção da nova Sede da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, no Porto. O projecto é da autoria do atelier de arquitectura NPS e a obra foi executada pela empresa AOF (com quem tivemos oportunidade de aprender no âmbito da colaboração com a Rota do Românico).

Este é um caso de estudo paradigmático, que evidencia os principais desafios e debates internos acerca dos diferentes “valores”, próprios dos processos de arquitectura sobre edifícios patrimoniais. Actuando sobre três edifícios, consegue conciliar de forma integrada três filosofias de intervenção distintas: o restauro, a reabilitação e a nova construção.

Os arquitectos assumem que o projecto “prioriza o património cultural existente”, actuando sobre ele de forma “o mais respeitadora possível”, mas sem abdicar do valor de contemporaneidade. O processo de inspecção e diagnóstico foi determinante, já que condicionou as decisões de projecto nos dois edifícios pré-existentes. A integração de “soluções técnicas”, nomeadamente na articulação com as diferentes especialidades da engenharia, é considerado o maior desafio.

No edifício considerado em bom estado de conservação, optou-se por uma intervenção de restauro, conservadora, visando a preservação e recuperação dos elementos arquitectónicos e decorativos existentes, tais como lambrins, portadas, guarnições, etc.. As operações de conservação e restauro visaram a limpeza e consolidação de elementos em pedra, ancoragem de rebocos, colmatação de lacunas, refechamento de fissuras e desinfestação química. Neste caso, priorizou-se o valor patrimonial, ainda que procurando dar resposta às necessidades actuais de conforto, nomeadamente através da integração de equipamentos de climatização.

No edifício em avançado estado de degradação, procedeu-se a uma reabilitação profunda, priorizando “adaptações que respondessem a pressupostos mais funcionais“, mas sem entrar em conflito com o valor patrimonial reconhecido ao edifício. Esta opção de projecto manifesta-se numa maior liberdade na alteração da especialidade interior, na depuração dos elementos decorativos repostos (lambrins ou rodapés, por exemplo) e nas soluções construtivas adoptadas (soluções mistas de madeira e metal).

Ao terceiro edíficio, uma nova construção a erigir no interior do lote, foram destinados os programas funcionais públicos, que exigem áreas maiores, de forma a conservar a matriz de compartimentação dos edíficios existentes. Assumindo uma nova linguagem contemporânea e reinterpretando a materialidade do granito, a nova construção procura enfatizar a identidade dos edifícios existentes, sem se sobrepor a eles.

Três filosofias de intervenção coincidem neste projecto, que demonstra que a heterodoxia de abordagens é possível e justificável em função das circunstâncias específicas do projecto. Este caso permite distinguir essencialmente quatro valores que devem ser priorizados na hora de projectar: patrimonial, funcionalidade, contemporaneidade e conforto.

Leave a Reply

Your email address will not be published.