Inspecting Historic Buildings using Ontologies

Este artigo  reflecte sobre o processo de desenvolvimento de uma ferramenta digital de apoio aos procssos de inspecção de edifícios antigos, no âmbito do projecto MONDIS – Monument Damage Information System -, financiado pelo Ministério da Cultura da República Checa.

Para fazer face à standaridzação excessiva e à provável incompletude dos dados em processos sobre edifícios antigos, esta ferramenta recorre a Ontologias e Redes Semânticas, conceito que não é, no entanto, aprofundado ao longo do artigo. Este modelo de dados caracteriza-se pela criação de uma rede de conceitos relacionados entre si (como um mapa mental); distingue-se das bases de dados tradicionais, essencialmente, por se tratar de um sistema de dados abertos, admitindo a incompletude da informação.

Este estudo contribui para a definição dos problemas encontrados na prática profissional na primeira fase de qualquer processo de intervenção sobre o Património – o levantamento. Para os autores, a fase de documentação do património cultural é de “vital importância”, por permitir realizar “a avaliação preliminar necessária à tomada de decisão”.

No processo de levantamento deverão ser recolhidas informações geométricas, arquitectónicas, artísticas, científicas e sociais, através do conhecimento das intervenções anteriores, das técnicas de construção e materiais utilizados, configurações geométricas, diagnóstico de danos e pesquisa histórica. Estes dados podem ser recolhidos através de inquérito, observação visual, medição, testes laboratoriais ou in-situ e monitorizações.

Os principais problemas identificados neste processo são a fragmentação da informação, frequentemente incompleta, e a incompatibilidade entre os dados de natureza diversa e as estruturas de conteúdos das diferentes metodologias e autoridades locais. Estes obstáculos resultam em comunicação ineficiente entre todas as partes envolvidas nos processos de reabilitação (comunidade especializada ou não-especializada). Para além destes, verifica-se ainda que a generalidade dos métodos de inspecção e levantamento, para além dos meramente visuais, consomem demasiados recursos sendo, por isso, apenas aplicados em situações excepcionais.

A ferramenta digital desenvolvida traduz uma metodologia de 4 passos: identificação do edifício, localização do edifício, hierarquia de elementos a inspeccionar e diagnóstico detalhado.

Na primeira fase é adicionada informação relativamente ao edifício em análise, nomeadamente a sua designação, tipo-morfologia construtiva e período arquitectónico da edificação, para além de fotografias do caso de estudo. A segunda fase, complementa esta identificação, permitindo adicionar a localização exacta do edifício através das coordenadas GPS, assinaladas no mapa.

A terceira parte refere-se ao processo de inspecção propriamente dito. O software apresenta a estrutura de elementos construtivos (aqui designados componentes) e respectivos subcomponentes. São considerados os seguintes elementos: cobertura, pavimentos, elementos verticais e fundações. Os vãos são integrados nos elementos verticais. É possível adicionar e duplicar elementos (por exemplo: parede de suporte Norte e parede de suporte Sul). O resultado é apresentado na forma de diagrama em árvore, correspondendo ao “diagrama tipológico” referido no artigo Coordination between understanding Historic Buildings and BIM Modelling.

Ainda na terceira parte do procedimento é possível detalhar, para cada subelemento, o material e o dano verificado. Em seguida, no quarto momento, cada um dos danos pode ser detalhado, adicionando fotografias, texto descritivo, localização e dimensões. Esta estrutura de parâmetros é flexível e pode ser editada pelo utilizador em função das necessidades (retirando parâmetros dimensionais quando estes não se aplicam, por exemplo).

A interface geral do software identifica o edifício e apresenta um sumário das anomalias verificadas durante a inspecção. Para cada entrada são indicados os principais parâmetros associados (dimensionais por exemplo) e ligações para técnicas de reparação sugeridas. As técnicas de reparação são apresentadas em formulários próprios, indicando procedimentos, materiais, limitações e vantagens. São organizadas em 3 tipologias de intervenção diferenciadas:

  1. acções que reparam a manifestação da anomalia (actuam sobre os “sintomas”)
  2. acções que interrompem o processo de degradação (actuam sobre os “mecanismos”)
  3. acções que removem o factor da anoamalia (actuam sobre os “agentes”)

O estudo apresenta uma aproximação interessante às questões levantadas pela documentação do património, contribuindo para a criação de uma ferramenta acessível e prática para utilização no terreno. O artigo apresenta uma fase ainda inicial do estudo, não permitindo conhecer a globalidade dos elementos, anomalias e técnicas de reparação abordados. Informaçaõ complementar encontrar-se-ia disponível no website www.mondis.cz que, no entanto, não está online.

Caccioti, R., & Valach, J. (2015). Inspecting historic buildings using ontologies. Rehab 2015 – Proceedigns of 2nd International Conference on Preservation, Maintenance and Rehabilitation of Historical Buildings and Structures. 2, pp. 715-724. Porto: Green Lines Institute.

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