101 Regras Básicas para uma Arquitetura de Baixo Consumo Energético, Huw Heywood

101 Regras Básicas para uma Arquitetura de Baixo Consumo Energético é um pequeno manual de apoio ao projecto, publicado pela Gustavo Gili, da autoria do arquitecto Huw Heywood.

Considerando que “a maior parte da energia consumida pelas edificações é durante a sua vida útil” (p.5), a sustentabilidade faz, cada vez mais, parte das preocupações do projecto de arquitectura. Segundo o autor (p.10):

Para que nossos prédios funcionem, usamos a metade de toda a energia que geramos no mundo (…). Se somarmos o consumo dos meios de transportes entre essas edificações, nós, os designers dos ambientes construídos, controlaremos cerca de 75% do consumo global de energia e seremos responsáveis por ele.

Este manual sistematiza conceitos básicos e indicações práticas, contribuindo para uma integração intuitiva de princípios bioclimáticos e nas soluções da arquitectura vernácula local. 

O guia está estruturado segundo a sequência lógica de projecto, o que torna a consulta muito prática. Inicia-se com a análise da localização e da implantação do edifício – topografia, clima, incidência solar e exposição aos ventos dominantes. O reconhecimento destas condições é essencial para a determinação da forma arquitectónica, da orientação do edifício e da distribuição funcional dos espaços. Depois de estruturada a forma do edifício, são detalhadas as soluções construtivas, sobretudo as da envolvente exterior – com impacte mais significativo nos ganhos e perdas térmicas do edifício. Neste capítulo são abordadas questões como inércia térmica, isolamento e ventilação natural. Um último capítulo apresenta considerações acerca da climatização e iluminação dos espaços, através de sistemas activos e passivos.

O capítulo final – designado “Bibliografia Narrativa” e redigido num tom mais académico – reúne referências bibliográficas e artigos científicos que suportam cada uma das regras definidas, permitindo ao leitor encontrar informação mais detalhada sobre metodologias de cálculo e quantificação das estratégias adoptadas.

Apesar de não ser, do ponto de vista científico, a obra mais relevante sobre sustentabilidade das construções (também não é esse o seu propósito), é particularmente interessante por procurar estabelecer uma ponte entre a investigação académica e a prática profissional, de consulta fácil e operativa. A redacção das regras é simples e suficientemente explícita mas, em caso de dúvida, os diagramas que as acompanham são, além de agradáveis, muito claros e de interpretação visual imediata. 

 

*Heywood, Huw. (2015). 101 Regras Básicas para uma Arquitetura de Baixo Consumo Energético. São Paulo: Gustavo Gili.

 

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