Seminário Construção Saudável

O Seminário Construção Saudável, organizado pelo CTAC , aconteceu pela primeira vez na Escola de Engenharia da Universidade do Minho. Como começou por referir o Professor Cardoso Teixeira, a construção saudável compreende dois momentos: por um lado, o próprio acto de construir de acordo com os princípios de segurança e saúde em obra; por outro, entendido a longo prazo, o acto de viver em edifícios saudáveis que garantam a qualidade de vida dos seus ocupantes. Este é, sem dúvida, um factor a ter em conta numa tomada de decisão multicritério durante os projectos de reabilitação.

Uma vez que o utilizador comum passa 90% do seu tempo em espaços fechados, a Qualidade Ambiental Interior (QAI) tem uma grande influência não só na sensação de bem estar imediata como também na saúde a médio prazo dos ocupantes. Para além de afectar o desempenho (rendimento, produtividade, capacidade de concentração), são hoje conhecidos outros sintomas associados ao síndrome de edifício doente: irritações, alergias, náuseas, cansaço, dor de cabeça, asma, doenças imunológicas e oncológicas. Apesar disso, os ocupantes são ainda frequentemente desconsiderados nas avaliações de desempenho dos edifícios.

A toxicidade e radioactividade dos materiais são dois aspectos críticos para a construção saudável. A Directiva Europeia 2013/59/Euratom sistematiza as normativas europeias em matéria de protecção radiológica, incluindo informação relativa à utilização de materiais naturais na construção. No entanto, enquanto a directiva não for devidamente aplicada na legislação nacional, não se verificarão, na prática, as medidas de protecção necessárias  em relação às radiações gama e emissão de radão. O radão é considerado cancerígeno pela OMS (Organização Mundial de Saúde) desde 1989 e é hoje considerada a segunda causa de morte de cancro do pulmão, a seguir ao tabaco. No entanto, a investigação do Projecto SOS Radão demonstrou que, ao afectar o “acino pulmonar” responsável pelas trocas para a corrente sanguínea, este gás poderá contribuir para o desenvolvimento de tumores em todas as regiões do organismo.

Mas, para além da toxicidade e da radioactividade, outros parâmetros devem ser considerados para avaliar a construção saudável. Entre eles destacam-se a concentração de dióxido de carbono e de partículas respiráveis, a presença de fungos e odores desagradáveis, a relação entre a humidade relativa do ar e a temperatura, o ruído e o conforto lumínico.

A metodologia de avaliação da construção saudável “Health Building Certificate” permite certificar projectos e edifícios do ponto de vista da sua salubridade, emitindo uma certificação quantitativa. Considera dez parâmetros de análise. Para além dos já referidos qualidade do ar interior, iluminação e qualidade acústica, esta metodologia avalia a qualidade dos materiais, os campos electromagnéticos, o desenho arquitectónico, o projecto hidráulico, o paisagismo e arranjo de áreas comuns, a manutenção e a sustentabilidade. Por relacionar estes parâmetros resultando numa classificação final ponderada, é uma ferramenta importante a analisar mais detalhadamente.

O Seminário contou também com a participação da Arquitecta Marcelina Guimarães e do geógrafo Miguel Fernandes, do atelier Habitat Saudável e autores do livro Uma casa mais saudável, Uma vida mais feliz. Neste livro, um guia da habitação saudável, reuniram algumas dicas práticas fundamentadas em investigação científica internacional.

 

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